Uma pesquisa realizada com pessoas e profissionais de diversos setores revelou um resultado bastante expressivo sobre a percepção dos brasileiros em relação às finanças pessoais.
Quando questionados sobre qual é o maior vilão das finanças pessoais, as respostas foram:
Cartão de crédito: 75%
Cheque especial: 14%
Crédito consignado: 8%
Financiamento de veículo: 3%
O resultado mostra uma percepção clara: para a maioria dos participantes, o cartão de crédito representa hoje o maior risco para a saúde financeira das famílias.
Mas existe uma reflexão importante. O cartão de crédito não é, necessariamente, o problema. Na verdade, ele é uma excelente ferramenta financeira quando utilizado com planejamento e disciplina. Pode oferecer praticidade, organização dos pagamentos e diversos benefícios, como programas de pontos, milhas e cashback.
O desafio começa quando o limite do cartão passa a ser tratado como uma extensão da renda. Nesse momento, muitas pessoas entram em um ciclo de parcelamentos e acabam recorrendo ao crédito rotativo, modalidade cujos juros frequentemente ultrapassam 15% ao mês. Em pouco tempo, uma dívida relativamente pequena pode crescer rapidamente, tornando-se um dos principais fatores de endividamento das famílias brasileiras.
O cheque especial, que apareceu com 14% das respostas, continua sendo uma das modalidades de crédito mais caras do mercado. Atualmente, os juros possuem um teto de 8% ao mês para pessoas físicas, percentual ainda bastante elevado para quem utiliza essa linha de crédito de forma recorrente.
O crédito consignado, citado por 8% dos participantes, apresenta uma das menores taxas do mercado, com juros que normalmente variam entre 1,5% e 3% ao mês, dependendo da instituição financeira e do perfil do cliente. Apesar do custo reduzido, é fundamental utilizá-lo com planejamento. Muitas pessoas acabam contratando novos empréstimos antes mesmo de quitar os anteriores, comprometendo uma parcela significativa da renda mensal por vários anos.
Já o financiamento de veículo, lembrado por 3% dos participantes, costuma apresentar juros entre 1% e 3% ao mês, variando conforme o perfil do cliente, o valor da entrada e o prazo contratado. Embora seja uma modalidade destinada à aquisição de um patrimônio, é essencial avaliar o custo efetivo total da operação antes da contratação.
A pesquisa deixa um ensinamento importante: o crédito não é o verdadeiro vilão das finanças. Pelo contrário, ele é uma ferramenta capaz de transformar sonhos em realidade. É por meio do crédito que milhões de brasileiros conseguem comprar a casa própria, adquirir um veículo, investir na educação ou enfrentar momentos de necessidade.
O problema surge quando o crédito é utilizado sem planejamento e sem educação financeira. Nessas situações, o que deveria gerar oportunidades acaba se transformando em um ciclo de endividamento, comprometendo boa parte da renda familiar com juros elevados.
Mais do que aprender a contratar crédito, é fundamental aprender a administrá-lo. A educação financeira deve fazer parte da rotina das famílias, ensinando desde cedo que o crédito deve ser utilizado para construir patrimônio, gerar oportunidades e proporcionar prosperidade e não para financiar um consumo acima da capacidade de pagamento.
Os resultados desta pesquisa mostram que o cartão de crédito e o cheque especial continuam sendo as modalidades que mais preocupam os brasileiros. Isso reforça a importância do planejamento financeiro e do uso consciente do crédito como instrumento de crescimento, e não como fonte permanente de dívidas.
Adilson Seixas CEO e Fundador da Loara Crédito


